segunda-feira, junho 18, 2012

O dia é pra quem não tem poesia

Durante o dia, eu sou igual a todo mundo. Meu brilho é ofuscado pelo sol, mas refletido pela lua. É de noite que o meu contorno diurno ganha recheio e mostro quem eu realmente sou. Sob as estrelas não há lugar para mentiras nem vergonhas e é sob as estrelas que eu posso libertar minha mente. Sem alunos ou colegas, sem chefes ou diretores, de noite minhas metáforas tem permissão pra não se preocuparem com a permissão de ninguém. O ar da noite refresca o sangue e o pensamento. A lua cheia me enche de coragem e eu desafio a mim mesma. Desafio a esquecer o rosto vermelho e a moleza das pernas e ir atrás do que quero. De noite qualquer música traz lembranças, qualquer paisagem é bonita e aquele cheiro arrepia. Alguns acham que durante a noite as pessoas se escondem atrás de máscaras, mas é o contrário. De dia, o doutor advogado, a senhora engenheira procuram impor respeito de qualquer maneira. À noite, nada disso importa, ou não deveria importar. De noite sou artista, poeta e feliz. Só a noite permite que meus versos de vida se desenrolem e que as rimas do meu coração se mostrem até para quem não quer ver.

domingo, junho 10, 2012

Livros novos

Hoje fui na Livraria Cultura comprar um presente. Sai de lá sem o presente e com quatro livros novos pra mim. Quatro livros de autores que eu nunca ouvi falar, não sei se são bons ou não. Se são comerciais ou artísticos. Se vão me acrescentar alguma coisa ou não. Comprei porque eles me abanaram lá da prateleira e gritaram "me compra, me compra". Um deles tem o modesto título "O que deu para fazer em matéria de história de amor", a autora é Elvira Vigna e atrás dele eu li o seguinte:


"Não é mais uma questão de tesão, nós dois. Ou só de tesão. Talvez nunca tenha sido.
Gosto dele, acho, não sei mais. Conheço fatos sobre ele, não ele. Faço histórias em que ele possa caber, todas um pouco falsas, como são as histórias. Não sei quem ele é. Acho que, enquanto não souber e precisar portanto fazer histórias, fico com ele. Quando não houver mais nada a adivinhar, tirar, vou embora. Talvez nunca vá. Talvez eu me engane. E nunca acabem, as histórias."

Daí eu comprei.