segunda-feira, maio 21, 2012

Poesia de presente


Não sei se isso acontece com mais alguém, mas vira e mexe eu ganho uma poesia de alguém. Ontem, durante a reunião do colégio, ganhei essa da minha querida amiga Márcia. Os tempos nunca estiveram tão em destaque na minha vida como nos últimos 6 meses.


"O presente está só.
A memória ergue o tempo.
Sucessão e engano
é a rotina do relógio
O ano não é menos vão
que a vã história.


Entre o amanhecer e a noite
existe um abismo de agonias, 
luzes, cuidados:
o rosto que se mira nos gastos
espelhos da noite não é o mesmo.


O hoje fugaz é tênue e é eterno;
outro céu não espere,
nem outro inferno."


                                 Jorge Luis Borges


sábado, maio 19, 2012

Em segundos




A realidade expulsa o coração para o mundo dos sonhos,
Mas lá não existe nada.
Talvez o vento, ilusões, confusão.
Daí lá no fundo, bem escondidinha,
Aparece uma saudade com cara de interrogação.
Ela abana tanto e tão sorridente que,
Assim de longe, até parece conhecida.
De perto não há nenhum reconhecimento,
Não mais a cara, mas a saudade todinha é um ponto de interrogação.
Que saudade é essa, de onde veio e por que apareceu?
Logo depois da saudade, apareceu um abracinho
Quentinho. Tão conhecido e, talvez, esperado.
Apenas alguns segundos são necessários para se entender um mundo,
Apenas no espaço de um abraço a saudade é reconhecida
E entendida: -"Bem vinda, querida!"
Mas pra ela não se diz "que saudade",
Pra ela se diz, com um suspiro sincero, "que pena!"