segunda-feira, agosto 29, 2011

30 anos, minha mãe e a Paulista

Nesse último mês minha vida foi "com emoção". Fiz 30 anos e descobri que não é tão ruim assim. Parece que me dei conta, finalmente, que sou mulher, apesar de algumas pessoas ainda acharem que eu tenho 22.

Quinze dias depois do meu aniversário, perdi minha mãe e aí tive certeza que realmente sou uma mulher, Diferente do que muitos acreditam, não me desesperei não me entreguei, não desisti. Pelo contrário, fiz o que sempre vi minha mãe fazendo: olhei pra frente, chorei um pouquinho e segui a vida.

Nem eu tenho a dimensão certa da falta que ela me faz, mas ela sempre odiou quem tinha pena de si mesmo e não vai ser dessa vez que eu vou desobedecer minha mãe. Sorrio, faço piada e festa e quando alguma coisa aparece e me faz lembrar dela (a cada 5 segundos), fico feliz e sorrio mais um pouco, porque tudo que lembro da minha mãe é bom e feliz.

Meus 30 anos com a minha mãe foram completos, não nos faltou nada, nem pra ser dito nem pra ser vivido. Por isso só consigo sorrir e me sentir quentinha quando penso nela. Mas as pessoas não me entendem e andam me enchendo o saco. Só hoje em SP, tive espaço para pensar e sem ter ninguém com cara de pena olhando para mim, as coisas ficam bem mais fáceis.

Nessa semana que passou questionei tanto a postura que tomei depois da morte dela, que quase acreditei que não amava minha mãe de verdade. Muitas pessoas esperam que eu esteja completamente desequilibrada e acham que eu estou escondendo meus sentimentos. Tão insuportáveis!!! Como bem disse meu amigo Marcelo, elas precisam que eu esteja mal para me consolar e se sentirem bem.

Mas hoje, caminhando sozinha pela Paulista no meio de tanta gente e de tanta grandeza, eu pude sentir meu coração e ver que minha mãe está lá dentro (como sempre). Não são minhas lágrimas ou meu desespero que vão mudar alguma coisa, mas sim o meu sorriso. Até porque ela sempre me dizia: "Dá um sorriso pra mãe".

(texto escrito dia 25 de agosto)