terça-feira, abril 30, 2013

Carga e descarga

Por volta de 2000, eu e um grupo de amigos elegemos um lugar para ser nosso QG na Unisinos. Era no DCE, o centro de tudo. Todos passavam por ali, todos se encontravam ali. Apelidamos o nosso lugarzinho de "Gueto" e até nos sentíamos representados pela música da Ivete Sangalo.

Um dia colocaram uma placa de "carga e descarga" e tudo ficou mais metafórico. Foi ali que, durante todo o tempo de faculdade carregamos nossas energias e descarregamos preocupações, dúvidas e estresses. Palco de micos, mel dramas, tragi comédias, o Gueto era nossa ilha no meio de tanta gente, barulho e confusão.

Sobre o Gueto poderíamos escrever um livro com cinco ou seis tomos e talvez tudo estaria muito resumido. Incrível como um único lugar pode ser o cenário para tantas coisas para tantas pessoas em apenas quatro anos.

Passados dez anos, estou de volta na Unisinos. Só eu, mais nenhum habitante do Gueto. A vida fez de um tudo com a gente: casaram, separaram, tiveram filhos, se mudaram, sumiram, morreram. Mas só eu voltei. O DCE não é mais o centro da Unisinos. Por sinal, nada mais acontece lá. Vazio e abandonado.

Hoje de manhã, no intervalo da aula, passei pelo DCE. Só eu, mais ninguém, quanto mais um habitante do Gueto. Olhei para nossa plaquinha de "carga e descarga" e ela está toda enferrujada. Ai, mas aquilo me trouxe uma melancolia, uma saudade, uma tristeza, uma nostalgia...

O tempo passa, as pessoas mudam, a vida anda. Será que eu não saí do lugar? Que angústia essa placa enferrujada!!!!!

(texto escrito em 11/04/13)



segunda-feira, abril 29, 2013

Nova classe C


O fim de 2012 me trouxe uma sensação angustiante e urgente de fazer alguma coisa diferente da vida. Esquecer nem que só por alguns dias a mesmice da rotina do ano todo. Daí surgiu a ideia de uma viagem para qualquer lugar com a Michele. Comentamos com as outras e no fim Nega e Pri embarcaram na nossa ideia.

Pegamos meus carro e partimos rumo ao Uruguai e fomos barradas na fronteira. ótima notícia: nós podíamos entrar; o carro, não. Eu e a Nega queríamos chorar, a Michele ficou pensando, roendo a unha e a Pri queria passar e invadir o país.

Tivemos que alugar um carro. No caso, um UNO de potência questionável, mas que nos levou por todos os lados. A cada buraco, lama ou coisas do tipo, nós dizíamos "Não tem problema, o carro é do Maurício".

No primeiro hostel, em Punta del Diablo, houve um erro do funcionário e dormimos três em uma cama de casal e uma num colchão no chão. Dividimos um banheiro sem chave com todos os hóspedes.

Em Punta del Este, eu e Chica estávamos feito sereias no mar quando ouvimos num português alto e claro: "Depois que molhar a bunda melhora".

Contribuição cultura do Brasil para o mundo: a nova classe C, tendo acesso a todos os pontos turísticos possíveis.

(texto escrito em 09/01/2013)