terça-feira, setembro 20, 2011

O que vai no meu coração




Eu não tenho cabelo comprido. Não sou loira nem tenho franja. Nem luzes nem mechas californianas. Não tenho as pernas longas nem finas e também não caminho com um pé na frente do outro. Não uso gloss nem glitter. Não gosto de lantejoulas nem nada que brilhe. Não gosto de batom rosa nem de brincos e anéis dourados. Não sei usar short com meia calça, sapatos de salto me cansam e botas de cano alto geralmente não fecham nas minhas panturrilhas. Não tenho unhas compridas e não as pinto de vermelho. Eu dou gargalhadas altas e danço espalhafatosamente se essa for a minha vontade. Olho futebol, novela, filme de terror e comédias românticas. Tenho um humor ácido e cortante e sou debochada. Leio e gosto de história. Sou inteligente e converso sobre muitos assuntos e tenho grande facilidade de me encaixar em diferentes grupos e bate-papos. Tenho opiniões polêmicas e criei minha própria religião. Gosto, na mesma intensidade, de papos filosóficos e piadas idiotas depois das 3 da manhã. No meio de uma conversa séria, cito uma frase do pica-pau e também estrago um momento engraçado declamando um verso que nunca ninguém ouviu. Grito e me expresso sem nenhuma dificuldade e por tudo isso não sou o tipo de mulher que os homens procuram. Eles podem listar no Face as diferenças entre meninas (periguetes) e as mulheres de verdade, mas é um mero ctrl+c ctrl+v. Eles não fazem a mínima ideia de qual é a diferença.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Caminhando e calando

Saí andando.


Pensei que seria uma idiota se não saísse caminhando.


Fui caminhando com a única preocupação de saber voltar. Cada quadra, cada banca de revista ou estação do metrô, cada pessoa diferente pareciam me dizer pra continuar a caminhar e olhar.



Passei pelo MASP e pensei nos Andrades, na Anita e nos sapos. Passei por luzes e lugares charmosinhos. Tudo me fez ter vontade de escrever alguma coisa. Escrever sobre a minha mãe, sobre o calor, sobre a noite, sobre o privilégio de estar só.



Até que a voz de uma menina de cabelo rosa e tatuagem de clave de sol concretizou o meu sentimento:



"Sempre que tenho uma boa ideia pra escrever, não tenho nem papel nem caneta".