quarta-feira, agosto 22, 2012

Chocolarte

Ganhei esse chocolate e fingi que esqueci dentro do carro. Uma fuga, junto tentei fingir que estava esquecendo outras coisas também.

Estranho esse mês de agosto, né? Tanto calor, sol, céu azul. Agosto sempre tão chuvoso está sendo quente o suficiente para derreter e retorcer o meu "chocolate - falsamente - esquecido - no - carro".

Quem diria que o mês de agosto seria tão quente, a ponto de derreter desse jeito um chocolate. O que resta é colocá-lo na geladeira pra ficar durinho de novo.

Só que mesmo durinho, ele vai continuar retorcidinho assim. Alguns derretimentos podem ser reversíveis, mas, infelizmente, o formato que eles produzem são bem mais difíceis de mudar.

( Pena que esse chocolate é o meu coração)

domingo, agosto 12, 2012

O Medo - Drummond



Em verdade temos medo.
Nascemos no escuro.
As existências são poucas;
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.
E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
Vadeamos.
Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.
Refugiamo-nos no amor,
Este célebre sentimento,
E o amor faltou: chovia,
Ventava, fazia frio em São Paulo.
Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
Nos dissimula e nos berça.
Fiquei com medo de ti,
Meu companheiro moreno.
De nos, de vós, e de tudo.
Estou com medo da honra.
Assim nos criam burgueses.
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?
Vem, harmonia do medo,
Vem ó terror das estradas,
Susto na noite, receio
De águas poluídas. Muletas
Do homem só.
Ajudai-nos, lentos poderes do
Láudano.
Até a canção medrosa se parte,
Se transe e cala-se.
Faremos casas de medo,
Duros tijolos de medo,
Medrosos caules, repuxos,
Ruas só de medo, e calma.
E com asas de prudência
Com resplendores covardes,
Atingiremos o cimo
De nossa cauta subida.
O medo com sua física,
Tanto produz: carcereiros,
Edifícios, escritores,
Este poema,
Outras vidas.
Tenhamos o maior pavor.
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.
Adeus: vamos para a frente,
Recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,
Eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
Dançando o baile do medo.


terça-feira, agosto 07, 2012

Reflexão filosófica sobre quão estenuante, desgastante e triste é o ato de terminar algo que não começou.

É foda!

:(

domingo, agosto 05, 2012

?


Na maioria das vezes eu não sei, mas hoje eu sei direitinho.