terça-feira, março 20, 2012

Coisas boas também dão preguiça




Era um dia tão abafado que parecia que o calor fazia meu coração bater a mil por segundo. A chuva estava se preparando e quanto mais perto do momento dela cair, mais o calor me sufocava. Quando os pingos começaram a cair e o cheirinho do chão molhado chegou no meu nariz, não resisti.




Fui tomar banho de chuva igual a criança. Aliás, foi ótimo me sentir feliz como criança. A falta de medos, desconfianças, traumas, vergonhas, tudo foi embora. Só o que ficou foi a alegria e a liberdade do momento. O alívio do calor, a sensibilidade da pele.




Quando a chuva passou, fiquei com frio e quase me sentindo louca. Sozinha e encharcada. Daí começou a parte da preguiça. Seca um pouco pra poder entrar em casa. Tira a roupa molhada, toma banho, lava o cabelo, seca, desembaraça, bota a roupa pra lavar. Até tudo voltar ao normal já tinha me arrependido da pequena travessura.




Depois disso, por um bom tempo, nenhuma chuva pareceu boa o suficiente pra passar toda aquela trabalheira de novo. Eu, às vezes, nem olhava e nas raras vezes que olhava pra chuva, não me dava vontade de aproveitar, porque a preguiça de ter que arrumar as coisas depois me impedia.




Agora a chuva está irresistível de novo. Pingos grandes e cristalinos tão bonitos que parecem sorrir pra mim. Mesmo eu estando bem escondidinha no meu quarto escuro cheio de all stars, ela deu um jeito de bater na minha janela e me chamar. Mesmo dentro do meu quarto consegui sentir o cheirinho da terra molhada e lembrei como alguns perfumes são irresistíveis. Parecia tão bom que nem pensei na preguiça futura e fui pra rua mais uma vez.




Mas lá de dentro do meu quarto eu não percebi que não era uma simples chuvinha. É uma tempestade com muito vento, raios e trovoadas. No meio dela, aqui em pé, sinto frio antes da hora, porque sei que pra arrumar tudo de novo vai dar muito mais trabalho. A preguiça deu lugar pra ansiedade e agora eu fico esperando essa chuva acabar (será que vai demorar?) pra eu fazer tudo que eu não queria mais fazer.




(essa metáfora fica boa com banhos de piscina também)