quarta-feira, março 18, 2009

Teoria Literária

Na faculdade tive duas cadeiras de Teoria Literária: a primeira falava sobre poemas; a segunda, sobre romances. Preferi a primeira. Passava horas contando sílabas métricas, analisando esquemas de rimas, descobrindo as classes gramaticais mais usadas e procurando figuras de linguagem.

Apesar de gostar das hiperboles, essas não apareciam muito. Ficava enjoada com as aliterações e assonâncias, repetindo sempre alguma vogal ou consoante. Ficava sensível com as sinestesias que despertavam cada um dos meus cinco sentidos. Ficava confusa com as silepses, sem perceber a combinação de suas palavras. Ficava encantada com as personificações, descobrindo os sentimentos das coisas. Sentia-me desafiada pelas metáforas e procurava o ponto em comum das ideias.

Começo difícil. Metáforas são escritas, mas não se preocupam se alguém as entende. Elas existem por prazer, o prazer de provar uma ligação entre duas ideias jamais relacionadas. Ninguém cria uma metáfora, ela surge por geração espontânea, pela necessidade incontrolável de existir. Como quando se tem um ataque de espirro ou quando, por algum motivo misterioso, bufamos sem perceber.

Quando já me achava incapaz de desvendar as misteriosas metáforas, aprendi o que chamam de "intersecção de metáfora". Incrível! Tudo ficou claro e elas passaram a ser algo palpável, perceptível sem muito esforço. Mas dez anos depois de fazer essa cadeira na faculdade, deparei-me com uma metáfora incrível, não conseguia entende-la. Fiz o exercício da intersecção milhares de vezes, mas nenhuma das opções fez sentido. Optei por mantê-la a uma distância segura dessa minha ignorância, não queria admitir a derrota.

Quanto mais longe eu levava a minha mente, mais eu me concentrava na danada da metáfora. Até que percebi que faltava uma única coisa para ser testada no exercício de intersecção: eu mesma. Surpresa! Tudo ficou claro, incrível! E eu parei de bufar.


4 coisas de vocês:

Simo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Simo disse...

Humm. Metáfora... Maçacinha, tenho que admitir, tu é boa mesmo... Não sei se eu seria capaz de explicar melhor...

Miguel Angelo Moreira disse...

Perfeito, adorei.
A metafora me parece parte de um impulso devorador que precisa se agarrar a algo para sair. A metáfora é a união da imagem com a palavra.
Muito bacana Carol.
Só tenho mais uma coisa pra dizer: me caiu os butiá dos bolso. hehe

Outra coisa. vc conhece a metáfora do sexo e da champagne? publiquei lá no blog.
Mille baci ragazza

Rafael Cury disse...

Prefiro também ficar na ilha de Lia do que navegar no barco de Rosa. Pouco entendo de metáforas, mas a sua é perfeita para meu sentir! Beijo grande.