Aos 27 anos,,,


Aos 27 anos escrever é uma terapia com o pior psicólogo que pode existir: minha consciência. Tanto tempo sem escrever demonstra o medo de ter que olhar pra dentro de mim mesma e de admitir sentimentos, saudades, mágoas e alegrias que me atropelaram nos últimos meses. Ler meu último texto traz, talvez, mais vergonha do que saudades, mas, felizmente, mais lembranças boas do que ruins. Quantas mudanças, quantas descobertas, quantas novidades, quantas coisas pra melhor. Sempre achei que mudar pra melhor só traria prazeres e felicidades, mas no meu caso foi um pouco mais difícil. Na verdade, foi muito dolorido e cada vez que essa dor tenta voltar, eu viro pro outro lado e pergunto “O que tem lá na frente?”. Não sei o que tem lá na frente. Espero que sejam mais coisas boas. Mais elogios, mais realizações, mais conquistas, mais amor próprio e mais felicidade.

Aos 27 anos tenho a impressão de não ter marcado ninguém e de não ter mais espaço em mim de tantas marcas que os outros deixaram. Tenho cada vez mais medo de passar em branco, de não ser importante na vida de ninguém. Um pouco cansada de dar importância pra pessoas erradas. Cansada de dedicar e não receber dedicação. Por outro lado, percebo que minha vida me cercou de amigos, os melhores tipos que existem. Que pegam o ônibus às 21h pra segurar minha mão, que acordam pra atender o celular pra ouvir perguntas que não têm respostas e mesmo assim tentar encontra-las, que ligam do Japão pro meu celular só pra saber se eu estou bem (e acabam descobrindo que eu fantasiada de espanhola no meio da rua).

Aos 27 anos me vejo de um jeito que nunca imaginei e que, às vezes, não me agrada. Mas seria muito injusto não admitir que minha vida é muito boa e que as pequenas tristezas são tão pequenas que elas quase passam desapercebidas. Geralmente elas são soterradas pelo carinho dos amigos citados a cima, pelas gargalhadas dos meus alunos e pelo amor da minha família. E, no fim das contas, não é mais ou menos isso que todo mundo quer?

Aos 27 anos volto a ter coragem de fazer minha “auto-terapia”. Aproveito o momento e o espaço pra agradecer tudo e todos que tenho.

Aos 27 anos tenho a impressão de recomeço e, por mais estranho que possa parecer, me sinto feliz com isso. Acho que ainda dá tempo.

Aos 27 anos descubro que, realmente, sou muito feliz.

Comentários

Priscila disse…
Nos teus 27 anos, mesmo que de muito longe agora, te adoro, te admiro, te rspeito cada dia mais. Pequenina desse jeito e tão, mas tão grande. Na força, na inteligência, no coração. Poucas, Carol, pouquíssimas pessoas têm o teu valor. E dou graças todos os dias por fazer parte da tua vida. Um imenso beijo. Gigante como tu é.